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Buracos nas ruas e obras atrasadas do Asfalta Beltrão aumentam cobrança na Câmara de Francisco Beltrão

Vereadores questionam ritmo das obras, cobram conclusão de trechos e pedem respostas sobre cronograma de pavimentação no município

A situação das ruas de Francisco Beltrão voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal. O aumento dos buracos, agravado pelas chuvas das últimas semanas, somado à demora na conclusão de algumas obras de pavimentação, provocou manifestações de diversos vereadores durante as sessões do Legislativo.

O problema ganha ainda mais repercussão porque o município está executando o Programa Asfalta Beltrão, anunciado no início do ano como o maior programa de pavimentação da história de Francisco Beltrão. A primeira etapa foi apresentada com investimento de aproximadamente R$ 70 milhões, contemplando inicialmente 214 ruas e estradas e cerca de 57 quilômetros de pavimentação.

Apesar do grande volume de recursos e obras anunciadas, a execução de alguns trechos tem enfrentado dificuldades. Na Câmara, vereadores vêm cobrando informações sobre o andamento dos serviços e a conclusão de obras que permanecem em execução ou que tiveram o cronograma comprometido.

Um dos casos que ganhou destaque é o da Rua Marília, no bairro Padre Ulrico. Em julho, vereadores se reuniram com moradores e representantes da Prefeitura para discutir o atraso na obra. Segundo informações apresentadas na reunião, entre os problemas estavam a dificuldade da empresa responsável em conseguir mão de obra e a necessidade de refazer a base da via antes da aplicação do novo asfalto. Como medida emergencial, a Prefeitura passou a realizar serviços de tapa-buracos enquanto a obra definitiva não avançava.

A própria administração municipal reconheceu, em julho, que as ruas Marília e Teresópolis estavam entre as obras que mais geravam questionamentos. Na ocasião, informou que havia 19 contratos de pavimentação em andamento, envolvendo cerca de R$ 83 milhões e aproximadamente 59 quilômetros de novas vias, e apontou fatores como escassez de mão de obra e condições climáticas como elementos que interferiam nos prazos.

A preocupação aumentou com a deterioração de outras ruas. Em reportagem publicada pelo Jornal de Beltrão no início de outubro, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Júnior Galvão, falou sobre a situação dos buracos após as chuvas e informou que o município havia iniciado a contratação de uma grande operação de tapa-buracos, com previsão de investimento superior a R$ 10 milhões para recuperação da malha viária.

Câmara cobra informações sobre o Asfalta Beltrão

A cobrança dos vereadores não se limita à realização de reparos emergenciais. Em setembro, foi apresentado na Câmara o Requerimento nº 434/2026, solicitando ao Poder Executivo informações detalhadas sobre a execução do Programa Asfalta Beltrão.

O documento pede a relação atualizada de todas as ruas, estradas, bairros e comunidades contemplados, diferenciando as obras concluídas, em andamento, paralisadas e ainda não iniciadas.

Os vereadores também solicitaram informações sobre as empresas responsáveis, contratos, valores, cronogramas físico-financeiros, datas previstas para conclusão e eventuais pedidos de prorrogação de prazo ou alterações contratuais.

Entre os questionamentos estão ainda as razões de eventuais atrasos e paralisações, além da existência de problemas relacionados à falta de trabalhadores, máquinas, equipamentos ou materiais que possam estar comprometendo o andamento das obras.

O requerimento também solicita um cronograma geral atualizado do programa, indicando cada via contemplada, empresa responsável, valor contratado, data de início, percentual executado e previsão atualizada para conclusão.

Entre o asfalto novo e os buracos antigos

O cenário coloca o município diante de um desafio: enquanto importantes obras de pavimentação avançam em diferentes regiões, outras ruas continuam apresentando problemas que exigem intervenção imediata.

Em junho, por exemplo, a Prefeitura informou que a revitalização da Rua Marília avançava, com execução de remendos profundos e construção de calçadas dentro das normas de acessibilidade. A previsão era de que, posteriormente, a via recebesse a nova pavimentação e sinalização.

Mais recentemente, uma das obras do programa, na Rua Pato Branco, no bairro São Cristóvão, foi concluída e liberada para o trânsito, com pavimentação, calçadas acessíveis, ciclofaixa e nova sinalização. O exemplo mostra que existem obras sendo finalizadas, mas também evidencia a diferença de ritmo entre os diversos trechos contemplados pelo programa.

Vereadores querem respostas e prazo para conclusão

Com a maioria dos vereadores se manifestando sobre as condições das ruas, a expectativa é de que o Executivo apresente respostas sobre o cronograma das obras e sobre as medidas adotadas para reduzir os transtornos enquanto os serviços definitivos não são concluídos.

A cobrança principal é para que as obras anunciadas avancem, que os contratos sejam cumpridos e que os moradores tenham clareza sobre quando cada rua será efetivamente concluída.

Enquanto isso, o problema dos buracos continua sendo uma das principais reclamações da população. Para quem utiliza diariamente as vias, a expectativa é que o grande investimento anunciado pelo município se traduza em resultados concretos e que as obras não permaneçam por longos períodos em execução, deixando trechos com circulação prejudicada e aumentando a necessidade de intervenções emergenciais.

O debate na Câmara coloca em evidência uma questão que vai além da simples recuperação do pavimento: a população quer saber quando as obras serão concluídas, quanto ainda será investido e quais medidas serão tomadas para garantir que os recursos públicos resultem em ruas de qualidade e segurança para todos.

O que disseram alguns vereadores

O tom dos pronunciamentos chamou a atenção. Vereadores de diferentes posições políticas relataram que estão sendo pressionados diariamente pela população e cobraram uma postura mais firme da administração municipal para solucionar os problemas.

A cobrança mais direta veio do vereador Tufão, que não poupou palavras ao falar sobre as empresas responsáveis pelas obras.

“Se não vão fazer, rescindam com as empresas.”

A declaração resume uma das principais reclamações apresentadas durante a sessão: a existência de obras que, segundo os vereadores, estão há meses aguardando execução ou permanecem sem conclusão, enquanto moradores continuam enfrentando transtornos.

A vereadora Aline, que integra a base de apoio à administração, também engrossou a cobrança. Segundo ela, as reclamações da população são constantes e até mesmo o contato com o chefe do Executivo estaria sendo difícil.

“Eu tenho tido diversas reclamações e não consegui sequer falar com o prefeito.”

A manifestação chama atenção justamente por partir de uma vereadora da base, mostrando que a insatisfação com o andamento das obras não está restrita aos vereadores de oposição.

“Esse governo anda para trás”

Outro vereador foi ainda mais crítico ao avaliar a condução dos serviços públicos no município e resumiu sua avaliação com uma frase forte:

“Esse governo anda para trás.”

A crítica se soma a uma série de manifestações que apontam para a necessidade de maior velocidade na execução das obras e de respostas mais efetivas aos moradores.

Oberdan: “O anúncio da obra é um espetáculo”

O vereador Oberdan também fez duras críticas ao andamento do programa. Para ele, existe uma diferença entre o anúncio das obras e aquilo que efetivamente chega à população.

“O anúncio da obra é um espetáculo.”

Na sequência, o parlamentar questionou o fato de existirem obras que, segundo ele, foram anunciadas há aproximadamente um ano e ainda não começaram.

“Tem obras que fazem um ano que não começaram. Tem que ter coragem de enfrentar.”

A cobrança aponta para um dos principais questionamentos que vêm sendo feitos pela Câmara: se as empresas contratadas não conseguem cumprir os cronogramas, quais medidas estão sendo tomadas pela administração?

Silmar Galina: “Lamentável”

O vereador Silmar Galina iniciou seu pronunciamento com uma palavra que sintetizou o sentimento apresentado durante a sessão:

“Lamentável.”

Segundo o vereador, ele também vem sendo pressionado diretamente pela população por causa das condições das ruas.

Entre os relatos apresentados está o de moradores que, segundo o parlamentar, estão há mais de 90 dias sem acesso adequado às suas residências em razão das obras.

A situação levou Galina a classificar o cenário como:

“É um descaso total.”

Para os moradores afetados, o problema deixa de ser apenas uma questão estética ou de conservação da rua. Quando uma obra se prolonga por semanas ou meses, o impacto chega diretamente à rotina das famílias, ao acesso às residências, ao comércio e à circulação de veículos.

Presidente da Câmara também faz críticas

O presidente da Câmara, Cidão, também entrou no debate e fez críticas à condução da Secretaria Municipal responsável pela área.

Durante seu pronunciamento, Cidão classificou o secretário Júnior Galvão como “incompetente” e fez uma acusação grave, afirmando que, segundo sua avaliação, o secretário estaria utilizando a estrutura da pasta para fazer lobby relacionado a negócios particulares, em vez de concentrar esforços no atendimento das necessidades da população.

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